O tendão de Aquiles é o responsável por conectar os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar (calcâneo). É ele quem gera a força necessária para caminharmos, corrermos e saltarmos. Quando ocorre uma ruptura, essa conexão é interrompida, resultando em perda imediata de potência e estabilidade. Identificar os sinais e buscar tratamento especializado nas primeiras horas é determinante para o sucesso da reabilitação.
Quais são os principais sintomas?
A ruptura costuma ser um evento súbito e inconfundível. Os principais sinais relatados pelos pacientes são:
- O Sinal da "Pedrada"
- A sensação mais comum é a de ter levado um chute ou uma pancada forte na parte de trás da perna, mesmo quando não havia ninguém por perto.
- Estalo Audível
- Em muitos casos, o paciente ou as pessoas ao redor conseguem ouvir um "estalo" ou um som seco no momento do rompimento.
- Dor Aguda Inicial
- Segue-se uma dor intensa na região posterior do tornozelo, que pode diminuir após alguns minutos, transformando-se em uma dor surda e contínua.
- Sinal do Degrau/ GAP palpável (Depressão)
- Ao palpar o trajeto do tendão, é possível sentir um "buraco" ou descontinuidade onde as fibras se separaram.
- Incapacidade de Propulsão
- O paciente perde a capacidade ou força para ficar na ponta do pé ou de realizar o movimento de "empurrar o chão" ao caminhar.
- Inchaço e Hematoma
- O tornozelo apresenta edema rápido e manchas roxas (equimoses) que podem descer para a lateral do pé.
O que pode causar essa condição?
Embora possa parecer um evento acidental, a ruptura geralmente ocorre em um tendão que já apresentava sinais de desgaste silencioso (tendinose). As causas principais incluem:
- Aumento Súbito de Carga
- O perfil clássico é o do "atleta de fim de semana" — alguém que submete o tendão a um esforço explosivo (como um arranque no futebol ou tênis) sem o preparo muscular adequado.
- Degeneração Crônica
- Microlesões repetitivas que não cicatrizaram corretamente deixam o tendão enfraquecido e menos elástico.
- Uso de Certos Medicamentos
- O uso prolongado de corticosteroides ou de alguns antibióticos específicos (quinolonas) pode fragilizar as fibras de colágeno do tendão.
- Fatores Anatômicos e Biomecânicos
- Encurtamento da musculatura posterior e alterações na pisada que geram tensão excessiva no Aquiles.
- Injeções Locais
- Infiltrações de cortisona feitas diretamente no tendão são um fator de risco conhecido para rupturas subsequentes.
Qual o melhor tratamento?
A decisão terapêutica é personalizada, levando em conta a idade do paciente, o nível de atividade física e o tempo decorrido desde a lesão.
- Tratamento Cirúrgico (Reparo Direto)
- É a opção preferencial para pacientes ativos/ hígidos e atletas. Temos diversas técnicas possíveis de acordo com a complexidade de cada caso, sendo priorizadas quando possível, as técnicas minimamente invasivas (percutâneas) que permitem cicatrizes menores e menor risco de complicações de pele.
- Vantagem
- Menor taxa de nova ruptura e retorno mais rápido à força explosiva.
- Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)
- Indicado para pacientes com menor demanda física ou contraindicações cirúrgicas. Utiliza-se imobilização gessada ou botas ortopédicas em posições específicas (equino) para que o tendão cicatrize por conta própria.
- Reabilitação Funcional
- Independentemente da escolha (cirúrgica ou não), a fisioterapia precoce com carga protegida é o pilar moderno da recuperação, evitando a atrofia muscular e a rigidez articular.
Quais exames podem ser solicitados pelo médico?
O diagnóstico da ruptura de Aquiles é essencialmente clínico, através de testes como o Teste de Thompson (onde o médico aperta a panturrilha e observa se o pé se move). No entanto, exames de imagem são fundamentais para o planejamento:
- Ultrassonografia Dinâmica
- Permite visualizar em tempo real a distância entre os cotos do tendão e o grau de hematoma local.
- Ressonância Magnética (RM)
- É o exame mais detalhado para identificar se a ruptura foi total ou parcial, a qualidade do tecido tendíneo e se há lesões associadas na cartilagem ou ossos.
- Radiografia (Raio-X)
- Utilizada principalmente para descartar fraturas por avulsão, onde o tendão arranca um fragmento do osso calcâneo no momento da ruptura.
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